domingo, 7 de junho de 2015

Tem poesia

(Luiz Henrique Costa)

Tem poesia para vender
Para comprar, para amar
Tem poesia que não deixa calar

Tem poesia debaixo do pé
Na sola do sapato
Tem poesia na sombra
Que te acompanha
Escorada num muro de chapisco

Tem poesia no resto
No lixo, lá fora
Tem poesia no fundo da sacola
Nos fundilhos das calças
No remendo da cueca

Tem poesia que virou pó
E que a gente inalou

Tem poesia no chão
No barro, na lama
Tem poesia que ensina e que engana

Tem poesia que é fantasia
Fantasma de infante

Tempo poesia concreta
Que não dissolve
Que não resolve

Tem poesia pura, adulterada
Estragada - fora de validade

Tem poesia que sangra
Que coagula
Que cura e deixa cicatriz


A primavera

(Luiz Henrique Costa)

A primavera da alma não tem flores
Ela é feita de voltas
Que a Terra dá em torno do Sol

A primavera da alma tem espinhos
A dor contínua não deixa esquecer
Que a primavera da alma chegou

A primavera da alma não é bela
Não cabe num cartão postal
É cinza e vai embranquecendo

A primavera da alma chega depois do inverno
Para aquecer o espírito

A primavera da alma termina com o fogo
Do verão



domingo, 18 de maio de 2014

Evapora

(Luiz de Magalhães)

Amor
que vai
volta

Se não
volta
fica

Quando fica
evapora

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pensamento-degradê

Pensamento-degradê
(Luiz Henrique Costa)

A tarde que cai e a manhã que surge

A morena, o mulato e o cafuzo
O cinza e dia o nublado com chuvisco
O morno, o outono e a primavera que brota
O especto do arco-íris
O pensamento-degradê

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Deusa dos ventos

Deusa dos ventos
(Luiz Henrique Costa)

Olhos que cegam a sobriedade
Sorrisos que abraçam o além-mar
Ela foi dica do sabiá
Concha do colar dos botos
Fruto da espera do carvão

Deusa dos ventos que desviam rotas
Que confundem as aves
E espalham o fogo

Overdose da natureza
Contemporânea dos lírios
Tiro certeiro na mata

Ela veio do barro
Se esgueira pelas pedras
E anda acima das copas





Bom dia.

Bom dia.
(Luiz Henrique Costa)

Acordar, café, manhã
Abrir a porta
Ignição.

- Olá! sentar, horas, passar
Páginas, sim, não,
- Melhor da próxima vez!

TV, sofá, estar, jantar
- Como vai?

Cama, vira,
- Até amanhã.









Ode a vontade

Ode a vontade
(Luiz Henrique Costa)

Que vontade de poder!
Querer que late latente
Potência de poder - à vontade

Quero sorrir a esmo
Esmerar-me em vossos segredos
Segregar o corpo da mente
Mentir pra poder voar

Asas pra cantar bem alto
Altura para cair bem devagar
Divagar atento à Lua
Enluarar-me ao som dos grilos-falantes

Ah! que vontade dessa vontade!
Beber das águas do fundo do mar
Nadar nas poças de nuvens
Levitar nas ondas que chegam aos ouvidos

Fonte do desejo do querer
Coisa-que-quer-por-si-só
Comichão que dá e não passa