sábado, 26 de janeiro de 2008

Novos olhos

Novos olhos
(Luiz Henrique Costa)

Preciso de novos óculos - um par novo de olhos. Quero ver novamente a cena que passou; desta vez de um outro ângulo. Quero o seu olhar e sua visão: saber se você pensa o mesmo que eu.

Preciso de um novo dia - uma nova tentativa. Quero errar novamente. Quero estar convicto do meu erro para tentar acertar no dia seguinte.

Quero uma casa nova - uma nova rotina. Preciso de novos muros, novas portas e janelas para abrir. Preciso de uma nova vista para o mundo.

Quero uma nova língua. Preciso de fonemas para expressar minha nova lógica.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Amigo

Amigo
(Luiz Henrique Costa)

Me ouça - mesmo que não você me entenda
Sorria! - mesmo que minha felicidade não te contagie
Me apóie
Por favor, me apóie
Me abrace
Eu te agradeço

Seja sincero - ponha as cartas sobre a mesa
Traga boas novas
Eu te pago uma cerveja
Me acolha com um sim, um afago e nada mais
Fique comigo, ao meu lado, amigo

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Disfarce mudo

Disfarce mudo
(Luiz Henrique Costa)

E se fosse mais um dia assim?
Por que forças querem me atrair
Em processos ao me ver sentir?
Destreza, clareza
À loucura nos levou

E se não sou mais eu quem quer?
Não faço esforços por ninguém
E se eu disse coisas?
Acho que quero sim
Fazer deste momento
Só mais uma farsa pra mim

Rio, Rio

Rio, Rio
(Luiz Henrique Costa)

Deu nos jornais: acabei de chegar
Eu quero ser parte dele
Rio, Rio

Meus pés vão de encontro ao mar - a orla
E só sairão quando o sol for embora
Para provar que sou o rei desta praia - o maioral

O samba no morro está fervendo
Para contar a velha história
Do antigo bairro que agora é favela

Rio,
Te compreender
Só depende de mim

Rio, Rio

domingo, 6 de janeiro de 2008

Discurso

Discurso
(Luiz Henrique Costa)

Discurso pronto
Certezas enfáticas
Súbitas dúvidas
Verdades sórdidas
Detalhes íntimos
Intenções melhores

Andar trôpego
Vazio incessante
Vícios adiante
Cura temporária

Verbos tensos
Vogais abertas
Linhas tênues
Abismo abaixo

Sonhos tolos
Vontades passageiras
Breve satisfação

Falas ativas
Ouvidos passivos
Olhares entediados
Tato à flor da pele

Problemas em série
Motivos concisos
Soluções negadas
Vida que segue

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Diário

Diário
(Luiz Henrique Costa)

Pensei em dizer tudo que sinto
Oh! Mas o que pensarão?
Como agirão quando vier à tona
que quero cuspir em seus rostos miseráveis?
Eu sei o que procuram
São tão previsíveis quanto o entardecer
Acho que farei inimigos
Me empurrarão para as margens do convívio
Serei um eterno bandido

Hoje eu não quero escrever

Hoje não quero escrever
(Luiz Henrique Costa)

Hoje não quero escrever
Não tenho nada a dizer
Não encontrei inspiração

O telefone não pára de tocar
Tenho louça para lavar
E idéias pela metade

Hoje não vou escrever
Esqueci o que ia comentar
E antes que pudesse lembrar
As contas deste mês venceram

Hoje não quero pensar
Não tenho tempo a perder